domingo, 8 de Novembro de 2009

Luz


Luz


Luz


sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Equivalent


…and yes, i’m copping Stieglitz idea and title.


By me

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

A janela da boneca



By me

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Pudor


Pudor!
É uma palavra que todos conhecem mas da qual raramente nos lembramos. Um destes dias ouvi-a num contexto curioso e fiquei com ela na cabeça.
Era a palavra que me faltava e que melhor descreve alguns dos meus sentimentos.
Tenho pudor em fazer certas fotografias.
Há 31 anos que faço televisão. Comecei ainda no tempo do preto e branco e da aventura do inico da cor. Cem por cento, menos umas milésimas de unidade, das imagens por mim captadas, registadas e transmitidas foram de seres humanos.
No estúdio e no exterior, dentro e fora do país, anónimos ilustres e ignóbeis figuras públicas, ou qualquer outra combinação, como entenderem.

Em todas elas, de uma forma mais ou menos explícita, existiu uma cumplicidade no fazer dessas imagens. A câmara estava lá, bem visível, e o cidadão sabe que eu estou lá, o que estou a fazer e para quê. Uns exibem-se e quase que pagam para constar no registo ou transmissão, outros são apanhados ao correr da objectiva, mas nada há de sub-reptício.
Além do mais, mercenário que sou da imagem televisiva, não me sinto eu, enquanto individuo, a fazer aquelas imagens. Faço parte de uma equipa, de uma organização. A minha co-responsabilidade na captação e utilização das imagens que faço é limitada. Ainda assim, alguns escrúpulos que tenho tido ao longo dos tempos, têm-me trazido alguns amargos de boca.
Já enquanto fotógrafo a minha atitude tem sido diferente.
Raramente fotografo pessoas desconhecidas ou anónimas. Pelo menos ao ponto de estarem em evidencia no enquadramento ou de serem reconhecíveis.
Os trabalhos que tenho feito a pedido (não gosto do termo profissional) têm sido na área do teatro, da publicidade e da arquitectura, passando ao de leve pela reportagem.
Nestas circunstâncias, as figuras fotografadas fazem parte do evento e querem “ficar no boneco”.
Mas, sendo o Homem aquilo que quero retratar nas minhas imagens pessoais - aquelas que faço para minha satisfação exclusiva -, procuro fazê-lo sem que conste explicitamente delas.
Aquelas imagens de instantâneo – uma expressão, um gesto, um evento – que poderia fazer para meu prazer e deleite, não as faço. Tenho pudor!
Com conhecidos, próximos ou não tanto, sou mais atrevido. A cumplicidade existe, as pessoas em causa sabem o que sou e o que faço e, se bem que possam não “se fazerem à fotografia”, sabem que ela pode acontecer e comportam-se mais ou menos em conformidade.
Agora os estranhos, aqueles que apenas me conhecem de vista ou nem isso, vivem a sua vida ignorantes da possibilidade de eu os poder fotografar. São o que são, sem reservas, acanhamentos ou exibicionismos, alegres, tímidos, carinhosos ou bem pelo contrário, inconscientes que um gesto, uma expressão pode ficar registada para todo o sempre.
Da mesma forma que não espreito ou fotografo para dentro de janelas alheias, também tenho pudor em o fazer quando estão da parte de fora delas.
Esta minha atitude e sentimentos é tanto mais forte quanto mais “frágil” é a pessoa ou situação em causa. As misérias, materiais ou outras, tantas vezes vistas em espaços públicos, estão ali porque não podem estar em qualquer outro local privado.
Os pedintes, vagabundos, sem abrigo, catadores de lixo, para não citar todos, são-no, estão-no e fazem-no não por vontade própria mas como último recurso, muitas vezes já sem pudor algum porque não se podem dar a esse luxo. A seguir a este degrau…
Se eu soubesse, com certezas ou alto grau de probabilidade, que o eu fazer estas imagens iria de alguma forma melhorar-lhes a vida – na auto-estima, na fome, na saúde ou no conforto – esta minha invasão das suas intimidades públicas poderia fazer algum sentido.
Mas eu sei que do meu acto de fotografar nada de diferente lhes acontecerá. Apenas ficarei com mais um troféu de caça na minha galeria que, eventualmente, exibirei dizendo: “Vejam o que eu vi, sintam o que eu senti!”
Poderão dizer os fotojornalistas: “Mas uma das missões nobres do nosso ofício é denunciar as misérias do mundo e tentar com isso melhora-lo!”
É verdade que sim! Tal como eu o faço com a minha câmara de vídeo, que é o meu ofício.
Mas as minhas fotografias não se destinam a nenhuma publicação, de pequena ou grande tiragem. Faço-as porque me dá prazer fazê-las e, raramente, exibi-las, se as entendo como capazes e se me apetecer.
Se, de alguma forma, as imagens que faço e exibo podem melhorar o mundo, não sei, ainda que o tente. Mas prefiro fazê-lo mostrando os objectos, a luz, as atmosferas, as consequências e as causas e não as pessoas em si mesmas, não violando a sua privacidade pública.
Há uma palavra que define o que sinto e que me inibe de fotografar amiúde desconhecidos:
Pudor!


Texto e imagem: by me

domingo, 1 de Novembro de 2009

Para que é que estás a olhar?




By me


Tempos modernos


Pergunto-me o que se passa na cabeça de pedagogos, arquitectos e afins ao criarem esta estrutura para um parque infantil num bairro suburbano.
Talvez uma transposição sólida e tridimensional das angústias de quem procura, mais que viver, sobreviver ao fim-do-mês.
E as vergonhas escondidas de quem entra na padaria e pergunta quanto custam dez pães. E, perante a resposta, peça apenas quatro, sem ser capaz de levantar o olhar para os restantes clientes, que também o desviam.
E os medos contemporâneos dos adultos. Que matam as frustrações do dia numa aguardente nocturna. E que chamam rispidamente a pimpolhada curiosa, para que se afastem do excêntrico da rua quando, quase pela meia-noite, fotografa um parque infantil inicialmente deserto.

Texto e imagem: by me

No story, just the fun!


Or, maybe, even a leaf getting the last sun beam before falling into the shade have its own story.
Sadly, I wasn’t able to read it!


Ausência de texto e imagem: by me

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Um oljhar - Caçador de troféus


Há algum tempo, passeava-me eu em plena Praça da Catalunha, Barcelona, e oiço gritar:
“JC! JC!”
Como, de acordo com o título de um livro que tenho algures por aí e de que até nem gosto, “Não há coincidências”, olhei em redor, que deveria ser comigo. Era!
Dois jovens atravessavam as faixas de rodagem por entre o denso tráfego, e corriam para mim. E, à medida que se aproximavam, reconheci-os: dois ex-alunos.
Os abraços selaram o encontro e reafirmaram, se dúvidas existissem, que havíamos passado uns bons tempos, lá na escola.
E enquanto eu confessa estar ali apenas na condição de turista, ainda que desejasse ardentemente ali residir, contavam-me eles que tinham ido até lá por via de um estágio de fim de curso e tinham por lá ficado que haviam encontrado um bom e estável emprego. Viviam lá! Deixando-me radiante com a novidade. Ainda que um pouco invejoso, confesso.
Como este, vários têm sido os encontros, ao dos tempos, com gente que ajudei a aprenderem um ofício. Por acaso aquele de que gosto ou correlacionado.
Alguns de sucesso, outros com altos e baixos, que o mercado de trabalho está como se sabe e no audiovisual não está melhor.
Surpresa mesmo foi hoje!
Abordado à entrada de um centro comercial por umas mocinhas, num peditório daqueles de fim/inicio de mês e que recusei, uma delas pede-me que me deixe fazer-me uma fotografia com ela, que tinha gostado da minha barba. E eu, que gosto de desafios mas também de não perder oportunidades, propus-lhe uma troca: fazia-me ela a fotografia, fazia-lhe eu uma fotografia dos seus olhos. Que querem, caçador de troféus funciona assim!
Conversa vai, conversa vem, aproxima-se outra delas, que também fotografei, e uma terceira que, olhando para mim, me pergunta se eu não daria aulas. E na escola “TAL”.
Dúvidas que existissem, teriam desaparecido e acabámos por nos referenciar: tinha ela frequentado uma das minhas aulas, por pouco tempo, no último ano em que lá tinha trabalhado. E, lamentavelmente, não me recordava eu dela.
Lamentável ou talvez não, que ainda que fosse ela a estabelecer o contacto, não parecia particularmente contente de ter sido encontrada ali, num peditório para uma instituição de apoio a toxicodependentes.
Mas o mundo é o que é, com os seus altos e baixos. E não tive eu a coragem de lhe pedir para a fotografar agora, estando ela num baixo e com o passado comum tido.
Em alternativa, aqui ficam os olhos de uma das suas amigas!

Talvez após umas revoluções do globo, nos possamos encontrar de novo, desta feita estando ela num alto ou, pelo menos, num neutro. Nessa altura, quero fotografar os seus olhos, garantidamente.
Que caçador de troféus não perde oportunidade. Pelo menos a maioria delas!


Texto e imagem: by me